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29 agosto 2011

Dá pra ir além - Missão Senegal

Aos amigos que visitam este simples blog de vez em quando, segue um vídeo muito importante sobre o Caminho da Graça e a Missão Senegal.

Entenda o que estamos querendo fazer pelas loucuras de amor.

26 agosto 2011

O que você me diz de possessão demoníaca?

Segue texto longo, mas riquíssimo do Caio Fábio em resposta a um questionamento. Tire algum tempo e leia abaixo. Vai enriquecer sua vida eu tenho certeza.

César

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O QUE VOCÊ ME DIZ DA POSSESSÃO DEMONÍACA?

Olá pastor! O senhor sempre fala sobre diabo e demônios colocando sobre eles uma responsabilidade bem menor que no ser humano corrompido e engodado pelo mal. Quase nunca pelo "mau". Como o senhor vê a tal possessão demoníaca? Coisas como o demônio falar com voz quase masculina em um corpo feminino, força descomunal e inteligência não compatível com o histórico do "portador"... Em Nephilim, há um certo comentário sobre o portador se "fundir" de tal forma com o espírito mau, que a partir de um certo momento não se pode quase distinguir que "eu" está falando. Sei que Nephilim é um livro de ficção e não de doutrina. Mas contém muita doutrina. Para mim o que marca nesse livro é o sentido da projeção. A maioria dos livros cristãos falam do Reino espiritual a partir de circunstâncias humanas. Para mim, Nephilim fala de circunstâncias humanas a partir do Reino espiritual! Enquanto a maioria dos livros dizem: está vendo esse fato "natural"? Quer dizer que o Reino espiritual é assim...., Nephilim diz: Sabe o Reino espiritual? Por isso, o mundo natural é assim... Desde que eu li esse livro, não consigo mais distinguir essa coisa de natural-espiritual. Para mim algo natural é tão espiritual... e algo espiritual é tão natural... Mas voltando ao assunto...O senhor concorda com o depoimento do Dr. Cedros? Como se processa a possessão maligna? O endemoninhado gadareno vivia com um altista enquanto era possuído, ou ele foi "encarnando" e tecendo intimamente aquele personagem mórbido até não conseguir mais distinguir o personagem de si próprio e ficar preso à indefinição? Não sei se existe uma preocupação bíblica em explicar isso, mas de qualquer forma, o que o senhor pensa? Um beijo. Na Graça, nossa possessão e herança em Cristo.
M. Cunha


Resposta:

Amado amigo: Ele despojou os principados e potestades, e publicamente os expôs ao desprezo, triunfando sobre eles na Cruz! Ora, se Ele os despojou, é porque tinham poder. E se triunfou sobre eles na Cruz, é porque eles existiam em oposição à Cruz, à Graça. E por que eu digo as coisas conjugando os verbos no passado? Eles deixaram de ter poder? Ele não têm mais poder, e ainda têm poder! Paradoxo, outra vez. Tudo existe ainda em paradoxo. Jesus triunfou sobre eles porque rasgou o escrito de dívidas, e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial...e encravou o escrito de débitos na Cruz. Ora, assim fica mais claro. Ele têm poder sobre a vida humana até que o indivíduo se vista da Graça de Deus com fé.
Este é o capacete da Salvação, e é também dessa consciência em fé de onde procedem a couraça da justiça, o escudo da fé, o cinto da verdade, as sandálias do Evangelho da paz, e a Palavra de Deus, que é espada para a luta e o enfrentamento. Ou seja: se eu creio de verdade no que Jesus já realizou por mim na Cruz, e se para mim isto é Pleno e Suficiente, então, ando sem medo, pois sei que aqueles que poderiam me fazer algum mal estão, eles mesmos, impotentes quanto a mim, visto que sei e creio que eles estão vencidos por Jesus. Ora, saber disso em fé torna Jesus o Advogado de minha vida nos céus, na terra, e debaixo da terra e dos mares. Em qualquer lugar. Até no espaço sideral, ou em qualquer dimensão de existência.
O diabo se alimenta do medo. Quem o teme, dá poder a ele. Quem sabe dele, mas já sabe que ele está vencido e amarrado, põe-se, pela fé, no Refúgio do Altíssimo, onde até o diabo só age como servo. Por que não falo muito no diabo? Ora, pelo menos por duas razões. A primeira é a que expus acima. Portanto, o diabo não é objeto de minha preocupação. Eu, todavia, sou minha maior preocupação, posto que eu, de mim mesmo, sou carnal, e dado ao pecado em minha natureza caída. Assim, vigio a mim mesmo, antes de vigiar a quem quer que seja. Além disso, quem teria a pretensão de poder vigiar o diabo? Ora, eu sim, preciso ser vigiado, visto que agora, o pior diabo habita as disposições de meu mundano proceder. E isto não tem a ver com modas, mas com meu modo de expressar na vida o que seja a mentira de meu ser como se fossem verdade.
Quanto a isto preciso estar sempre atento. A segunda razão pela qual pouco falo no diabo é porque fala-se muito nele. O diabo "tem gloria" no meio cristão, como se fosse um igual a Deus. De fato, teme-se ao diabo, e não se teme a Deus. Ora, o compromisso de minha consciência é não ser e nem fazer nada que não decorra da fé em Jesus. Sendo assim, entrego minha consciência em Deus e usufruo dos benefícios da Cruz, andando sem medo ou susto.
Se depender de minha boca o diabo morre seco. Não tenho lábios para ele. E mais: até na hora de discerni-lo em pessoas, o faço sem estardalhaço—afinal, o diabo adora um show'; e, assim, vejo o poder libertador de Jesus em ação, e sei que tudo vem de Deus. Quem ensina a Graça de Deus conforme o Evangelho e crê no que ensina, não tem razão para falar no diabo, e nem para não mandá-lo sair se ele desejar se apresentar. Assim, se ele não se manifesta, não é mencionado. E se manifesta, é imediatamente retirado. Era assim que Jesus fazia nos evangelhos.
Também não falo muito no diabo—exceto o necessário—porque vejo que no meio cristão a figura do diabo tem um papel mais diabólico do que o próprio diabo consegue ter. Isto porque o diabo é útil ao auto-engano cristão que lhe atribui as culpas sempre, enquanto as pessoas não param para se enxergar na luz da verdade. Ora, essa projeção no diabo nas coisas que nos dizem respeito é algo mais diabólico que o diabo consegue ser. E ele agradece. Isto porque ele, assim, cumpre um papel de evasão da realidade e de nós mesmo, fazendo com que nunca nos enxerguemos. E quanto menos uma pessoa se encara, tanto mais atribui ao diabo as suas próprias responsabilidades. O que os cristãos precisam saber é que com a Cruz não apenas cessaram os sacrifícios de animais—cordeiros e qualquer outro sacrifício—, mas também acabou o antigo rito bíblico de se soltar o "bode expiatório", e que levaria o pecado do povo para fora do arraial. Em Jesus o Bode Expiatório acabou também. E isto vale para o diabo como figura de “bode expiatório psicológico”. Isto porque, para os cristãos, o diabo não perdoa pecados, mas serve para levar a culpa. O perigo é que quando as pessoas usam o diabo para levar a culpa de suas culpas, elas vão ficando diabólicas.
Infelizmente esta é a verdade. Assim, quanto mais alguém se utiliza do diabo para se justificar, mas poder dá ao diabo em sua própria vida. O que é insuportável para o diabo é ver uma consciência humana que sabe que ele existe, mas que anda tanto com Deus, que o diabo inexiste para ela, visto que jamais será usado por essa pessoa para explicar nada; o bem, nunca; e o mal, jamais. Enquanto os homens fizerem como Adão, e olharem para a Serpente como uma justificativa para o seu próprio ato e decisão, o diabo crescerá em importância. Mas quando eu digo que fui eu quem "comeu", e não transfiro responsabilidades nem para a mulher, nem para o mundo e nem para o diabo, nesse dia o diabo começará a secar em nossa existência; visto que a maldição da serpente é comer o meu pó; ou seja: a produção de meu andar...e se ando com medo, melhor será para aquele que se alimenta, sobretudo, de meu medo.
Quanto ao Gadareno e às diversas formas de possessão—desde as mais leves às mais entranhadas—, me escreva noutra hora que responderei. É que agora estou de saída. Mas me solicite outro dia e responderei com prazer.

Um beijão.
Nele, em Quem podemos andar sem medo,

Caio

10 fevereiro 2011

Deus nos livre de um Brasil evangélico

Eis um texto que preciso dividir...

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Deus nos livre de um Brasil evangélico

Ricardo Gondim

Começo este texto com uns 15 anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que outdoors eram permitidos em São Paulo, alguém pagou uma fortuna para espalhar vários deles, em avenidas, com a mensagem: “São Paulo é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso”.

Rumino o recado desde então. Represei qualquer reação, mas hoje, por algum motivo, abriu-se uma fresta em uma comporta de minha alma. Preciso escrever sobre o meu pavor de ver o Brasil tornar-se evangélico. A mensagem subliminar da grande placa, para quem conhece a cultura do movimento, era de que os evangélicos sonham com o dia quando a cidade, o estado, o país se converterem em massa e a terra dos tupiniquins virar num país legitimamente evangélico.

Quando afirmo que o sonho é que impere o movimento evangélico, não me refiro ao cristianismo, mas a esse subgrupo do cristianismo e do protestantismo conhecido como Movimento Evangélico. E a esse movimento não interessa que haja um veloz crescimento entre católicos ou que ortodoxos se alastrem. Para “ser do Senhor Jesus”, o Brasil tem que virar “crente”, com a cara dos evangélicos. (acabo de bater três vezes na madeira).

Avanços numéricos de evangélicos em algumas áreas já dão uma boa ideia de como seria desastroso se acontecesse essa tal levedação radical do Brasil.

Imagino uma Genebra brasileira e tremo. Sei de grupos que anseiam por um puritanismo moreno. Mas, como os novos puritanos tratariam Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Maria Gadú? Não gosto de pensar no destino de poesias sensuais como “Carinhoso” do Pixinguinha ou “Tatuagem” do Chico. Será que prevaleceriam as paupérrimas poesias do cancioneiro gospel? As rádios tocariam sem parar “Vou buscar o que é meu”, “Rompendo em Fé”?

Uma história minimamente parecida com a dos puritanos provocaria, estou certo, um cerco aos boêmios. Novos Torquemadas seriam implacáveis e perderíamos todo o acervo do Vinicius de Moraes. Quem, entre puritanos, carimbaria a poesia de um ateu como Carlos Drummond de Andrade?

Como ficaria a Universidade em um Brasil dominado por evangélicos? Os chanceleres denominacionais cresceriam, como verdadeiros fiscais, para que se desqualificasse o alucinado Charles Darwin. Facilmente se restabeleceria o criacionismo como disciplina obrigatória em faculdades de medicina, biologia, veterinária. Nietzsche jazeria na categoria dos hereges loucos e Derridá nunca teria uma tradução para o português.

Mozart, Gauguin, Michelangelo, Picasso? No máximo, pesquisados como desajustados para ganharem o rótulo de loucos, pederastas, hereges.

Um Brasil evangélico não teria folclore. Acabaria o Bumba-meu-boi, o Frevo, o Vatapá. As churrascarias não seriam barulhentas. O futebol morreria. Todos seriam proibidos de ir ao estádio ou de ligar a televisão no domingo. E o racha, a famosa pelada, de várzea aconteceria quando?

Um Brasil evangélico significaria que o fisiologismo político prevaleceu; basta uma espiada no histórico de Suas Excelências nas Câmaras, Assembleias e Gabinetes para saber que isso aconteceria.

Um Brasil evangélico significaria o triunfo do “american way of life”, já que muito do que se entende por espiritualidade e moralidade não passa de cópia malfeita da cultura do Norte. Um Brasil evangélico acirraria o preconceito contra a Igreja Católica e viria a criar uma elite religiosa, os ungidos, mais perversa que a dos aiatolás iranianos.

Cada vez que um evangélico critica a Rede Globo eu me flagro a perguntar: Como seria uma emissora liderada por eles? Adianto a resposta: insípida, brega, chata, horrorosa, irritante.

Prefiro, sem pestanejar, textos do Gabriel Garcia Márquez, do Mia Couto, do Victor Hugo, do Fernando Moraes, do João Ubaldo Ribeiro, do Jorge Amado a qualquer livro da série “Deixados para Trás” ou do Max Lucado.

Toda a teocracia se tornará totalitária, toda a tentativa de homogeneizar a cultura, obscurantista e todo o esforço de higienizar os costumes, moralista.

O projeto cristão visa preparar para a vida. Cristo não pretendeu anular os costumes dos povos não-judeus. Daí ele dizer que a fé de um centurião adorador de ídolos era singular; e entre seus criteriosos pares ninguém tinha uma espiritualidade digna de elogio como aquele soldado que cuidou do escravo.

Levar a boa notícia não significa exportar uma cultura, criar um dialeto, forçar uma ética. Evangelizar é anunciar que todos podem continuar a costurar, compor, escrever, brincar, encenar, praticar a justiça e criar meios de solidariedade; Deus não é rival da liberdade humana, mas seu maior incentivador.

Portanto, Deus nos livre de um Brasil evangélico.

fonte: site do Ricardo Gondim

08 janeiro 2010

O cara que salvou José

Segue uma abordagem muito interessante do amigo Hugo do blog Metanoiado.

Primeiro vai o poema de Drummond, famosíssimo. Logo em seguida está a interpelação feita pelo Hugo, de muito bom gosto e muito interessante:


JOSÉ
Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?
E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?

___________________


Vê agora, José?
A festa não acabara
Nem a luz apagara
Eram os teus olhos, José
Eram os teus olhos
Mas eles se abriram
O povo estava ai
O frio era em ti
Vê agora, José?
Voltou a utopia
E tudo começou
Incoerente é a vida, José
A mulher vai embora
E leva o carinho
O ódio se instala
E o discurso acaba
Olha o bonde da vida ai
Sobe nele
Sem teogonia, José
Teus deuses morreram
Precisa ir no bonde
Sobe nele, José
Sem cavalo preto que foge a galope
A fé é a pé
Marcha, José

hugo


E pra mim, a frase riquíssima: A fé é a pé!
Parabéns cara!

07 janeiro 2010

Não assisto mais Filmes Evangélicos

Segue um texto pra lá de bacana de um grande amigo, o Marcos Botelho do JV na Estrada. Esse cara é uma mente brilhante meio a tanta porcaria do mundo evangélico.


O texto é pra lá de sóbrio e bem colocado.

Estou com o Marcos quanto aos filmes. Raramente me pegarão de novo. Mas o pior mesmo é que já estou usando a mesma lógica para os livros evangélicos... tá difícil de achar coisa boa! Tô lendo Dostoiévski... ê coisa boa!!!

Segue:

______________


Gosto muito de filmes, gosto de sentar e me divertir na frente de uma grande tela com um bom home theater. Dependendo da companhia, posso passar um bom tempo discutindo sobre a visão do diretor, roteiro, etc.

Um tempo atrás algumas pessoas começaram a me falar que tinha uma igreja nos Estados Unidos que estava fazendo filmes de qualidade e que eu deveria assistir. Falei não de cara, pois tenho medo que os evangélicos façam com os filmes o mercado paralelo que fizeram com as músicas.

Até que um dia alguém me emprestou um filme e pela capa pensei: Vamos lá, deve ser bom!

Mas, infelizmente, não foi nada bom. Não pela qualidade do filme, que é razoável, e nem pelas falas, que são fracas, mas pela história que, na essência, não tem a ver com o evangelho, é apenas uma repetição de um roteiro que deu certo lá fora.

O filme é a história de um treinador falido, com um carro que não presta e, que não pode ter filhos, e sei lá mais o que. Um dia ele aceita a proposta de treinar um time de futebol do colégio e tentar a sorte no campeonato importante da região.

Como todo filme, ele encontra muitos obstáculos e gente querendo derrubá-lo. Mas o diferencial é que ele decide evangelizar o time e colocar os princípios evangélicos nos garotos.

Tenho muitos amigos missionários/treinadores que trabalham com esta visão, e sei que esta estratégia é muito boa se for aplicada com discernimento e sabedoria. Pois assim como aí fora os treinadores sempre enfatizam a importância do treino e também da escola, nós, cristãos, colocamos mais uns pontos: Que um atleta completo tem que estar bem fisicamente, mentalmente e espiritualmente.

O que me irrita nos filmes “evangélicos” é que eles pegam exatamente o mesmo roteiro dos outros filmes, mas mudam a carcaça. Da garra, esperança ou sei lá o que para a religião evangélica.

No fim do filme, depois de muita luta e perseguição, pois o treinador colocou disciplinas espirituais nos garotos, eles chegam à final do campeonato em um último jogo emocionante.

E, para o meu desespero, eles ganham o campeonato de um time muito mais forte, ele ganha uma caminhonete novinha animal e, adivinha o quê mais? A esposa dele fica grávida. E os desavisados gritam aleluia!!!

Sei que filmes precisam ter final feliz, mas não é esta a lógica do reino, não foi assim que aconteceu com o mestre. Ele fez tudo certo e foi traído, abandonado e morto.

Podia sim ter um final feliz. Podia ser diferente sim, eles poderiam ter perdido aquele jogo, o treinador ter perdido a cabeça e gritado dentro de seu carro velho para os garotos que não adiantou nada. No outro dia ele indo para a escola veria um estudante que reconciliou com o pai, outro que parou de brigar na rua. Quem sabe os meninos no outro dia treinando bem cedo no campo e falando que a derrota mostrou que o jogo não é tudo e que o que aprenderam vão levar para sempre! Sei lá!

Quando encontramos Cristo não jogamos melhor futebol, nem ganhamos dos que odeiam o evangelho. Aprendemos com o mestre o valor da humildade, do amor, da ética.

Assisto muitos filmes essencialmente cristãos, que me fazem repensar a vida e que exaltam o amor e não a competição, a humildade e não a vitória. Estes eu assisto, mas os filmes denominados “evangélicos”, estes eu não assisto mais.


visita ele aqui ó:

17 novembro 2009

A conversão de um diabo

Excelente texto lido hoje no Pavablog:


- Eu o quero! - bradou Jesus - Vejam como ele beija meus pés. Vocês não percebem e não vêem isso?
Era inverno na cidade de Ouro Preto e sob aquele frio que rachava os seus lábios, Jesus seguia a diante e onde ele passava, a boiada ia atrás.

Sobe escadaria, desce ladeira,
Corta esquinas, versando a vida.
O mestre compassava seus passos,
Sorrindo para cada lado,
De cada segundo,
De cada frame vivo,
O mestre valsava vida.

Uma garotinha pára Jesus, e indaga:
- Ei, tio, olha o seu beiço. Está rachado. Usa esse meu restinho de manteiga de cacau...
- Garotinha, eu vou aceitar sim. Meus beiços estão doendo muito...
A tal garotinha nem sabia que estava se entremetendo num diálogo sísmico onde Jesus queria salvar um diabo.
Ela olha para o Sr. Tranca Rua, olha para Jesus e diz:
- Tio, coitado dele. Minha mãe disse que quem olhar para ele, vira estátua de sal. É verdade?
- Não garotícula linda! Ele é boa gente, só está um pouco doente e fraco de tanto carregar o fardo da cidade.
- Fardo tio? O que é isso?
- Fardo é um peso que se coloca em algo ou em alguma pessoa. Além de o nosso amigo diabo ter uma doença na alma ou distúrbio espiritual, ele carrega o desprezo da cidade e nele, direcionam todos os dejetos pertinentes a escória. O fardo dele é pesado, porque ninguém se importa com ele. Todos passam por ele e olham tudo aquilo que eles não querem ser e isso é percebido por ele e automaticamente, isso vira uma identidade dele e nele posta pela sociedade.
O diabo não parava de se derramar diante do mestre, então diz:
- Eu te adoro Jesus, deixa-me ficar aqui, em teus pés, para sempre.
Não demorou muito para o povo devoto, que estava ali presente, se questionar entre si: “Jesus vai salvar o diabo? Ele está ficando louco? A gente não vale mais do que ele? Nós não cumprimos todas as diretrizes?”
Jesus ouvindo os murmúrios dos crentes cerrou os comentários com as seguintes palavras:
- Quem são vocês, além de algozes deste diabo? Quem são vocês para determinar quem eu devo salvar? Já que vocês só acreditam em mim depois que Lucas e os outros escreveram, não leram que eles disseram? “Eu não vim destruir a alma de ninguém”
O silêncio encabulou até as pedras do caminho.
- Todos que vierem a mim, jamais eu dispensarei sem a minha dádiva. Ele me invocou e quem invoca é porque crê em mim e quem crê será salvo. Não irei destruir a alma de quem me busca, ainda mais por capricho de vocês – pontuou Jesus.
Ao proferir essas palavras, Jesus tocou no diabo e ao tocar nele, instantaneamente, o diabo se transformou em anjo.
Todos ficaram estarrecidos e inacreditavelmente, inconformados com a atitude de Jesus. O povo não queria a salvação e a libertação do diabo. Queriam que o diabo se endiabrasse mais e continuasse a receber os demônios da cidade que por hora, se travestia de ódio, nojo, egoísmo e dissimulação e mentira.
Foi aí que o já previsto aconteceu. Botaram Jesus e o diabo-angelicalizado para correr.
Foi um “pega pra capar”.
Os dois saíram correndo ladeira a baixo com uma multidão gritando “queremos salvação elitista” e o “nosso diabo-endiabrado para estrear o lago de fogo. Endiabra ele de novo, Jesus”.
Jesus e o ex-diabo correram tanto até chegarem ao carro de Jesus que estava parado há uns metros do local da confusão. Os dois entraram no carro e foram embora.
Ao chegarem aos limites da cidade, Jesus olha para o ex-diabo e diz:
- Desce!
- Mas Jesus, não posso descer!
- Desce, você precisa ir!
- Mas Jesus, eu quero ficar contigo. Juntos nós podemos anunciar as boas novas e quem sabe, comprar um galpão para reunir o povo e assim podemos criar o nosso padrão, nossa moral, nossa plataforma teológica!
- Você não sabe o que está falando! Se seus projetos forem esses você se tornará mais um daqueles que habitam naquela cidade. Não te livrei desta vida de Tranca Rua ou Demônio da Garoa da Cidade Inabitável para você virar um Diabo Sacro. Vai e anuncie o que eu fiz com você e posso fazer com qualquer um através da minha eterna misericórdia. Apenas faça isso. Sua vida será uma ponte para muitas vidas. Apenas você e você. Vá.
E ele foi.
Passou-se algumas semanas, Jesus retorna a cidade, pára numa banca de jornal e se depara com a manchete:
“O endemoninhado de ouro-pretense”
Ele lê toda a matéria e balbucia:
- Meu Pai que está no céu! Mas nem o articulista se importou em colocar o nome deste pobre homem em seu relato jornalístico. Para esse povo ele sempre será chamado de diabo, mesmo ele deixando de ser. Seria um grande passo se pelo menos o chamassem de ex-endemoninhado.
Na verdade, não importa isso, afinal, nós sabemos o nome dele, não é papai?

Baseado em Marcos 5

21 outubro 2009

Pela janela


Acho que vou colocar o nome do meu filho de Rubem, só por causa desse cara! Dá uma lida:

Algumas pessoas olham através da vidraça, discutem sobre uma casa que estão vendo, ao longe.

Uma das pessoas diz que aquela casa é habitada por um nobre, de hábitos aristocráticos e conservadores. Uma outra diz o contrário, que lá mora um operário, membro do sindicato, revolucionário. Uma terceira diz que os dois primeiros estão errados: ninguém mora na casa. Ela está vazia. Pedem a minha opinião. Eu me aproximo, eles apontam através do vidro, na direção da casa. Olho, olho, e concluo que alguma coisa deve estar errada com os meus olhos. Eu não vejo casa alguma. O que eu vejo são os reflexos do meu próprio rosto, nos vidros da vidraça...

Diz o Alberto Caeiro que pensar em Deus é desobedecer a Deus. Se Deus quisesse que pensássemos nele ele apareceria à nossa frente e diria: ‘Estou aqui!’ Mas isso nunca aconteceu. William Blake falava em ‘ver a eternidade num grão de areia...’ A eternidade se revela refletida no rio do tempo. Já tive uma paciente que achou que estava ficando louca porque viu a eternidade numa cebola cortada! Cebolas, ela já as havia cortado centenas de vezes para cozinhar. Para ela cebolas eram comestíveis. Mas, num dia como qualquer outro, ao olhar para a cebola que ela acabara de cortar, ela não viu a cebola: viu um vitral de catedral, milhares de minúsculos vidros brancos, estruturados em círculos concêntricos, onde a luz se refletia. Eu a tranqüilizei. Não estava louca. Estava poeta. Neruda escreveu sobre a cebola ‘rosa de água com escamas de cristal...’

Pessoas há que, para terem experiências místicas, fazem longas peregrinações a lugares onde anjos e seres do outro mundo aparecem. Eu, ao contrário, quando quero ter experiências místicas, vou à feira. Cebolas, tomates, pimentões, uvas, caquís e bananas me assombram mais que anjos azuis e espíritos luminosos. São entidades assombrosas. Você já olhou para elas com atenção?

Penso que Deus deve ter sido um artista brincalhão para inventar coisas tão incríveis para se comer. Penso mais: que ele foi gracioso. Deu-nos as coisas incompletas, cruas. Deixou-nos o prazer de inventar a culinária.

Místicos e poetas sabem que o Paraíso está espalhado pelo mundo - mas não conseguimos vê-lo com os olhos que temos. Somos cegos. O Zen Budismo fala da necessidade de se ‘abrir o terceiro olho’. Repentinamente a gente vê o que não via! Não se trata de ver coisas extraordinárias, anjos, aparições, espíritos, seres de um outro mundo. Trata-se de ver esse nosso mundo sob uma nova luz.

Rubem Alves

28 agosto 2009

O Evangelho

Li no Pava:

O Evangelho não é um chamamento ao arrependimento ou à correção de nossos caminhos, ou uma forma de pagar pelos nossos pecados antigos, ou para prometer ser melhor no futuro. Estas coisas têm o seu lugar, todavia elas não constituem o Evangelho; porque o Evangelho não é bom conselho para ser seguido, são boas-novas para serem cridas. Então, não cometa o erro de pensar que o Evangelho é um chamamento ao trabalho ou um chamado para uma mudança, um chamado para melhorar o que você é, para comportar-se de uma maneira melhor que a que você tenha sido no passado...

Nem é o Evangelho um pedido para que você desista do mundo, que você desista de seus pecados, que você quebre seus maus hábitos, e tente cultivar hábitos bons. Você pode fazer todas estas coisas e ainda nunca ter acreditado no Evangelho e consequentemente nunca ter sido salvo.

Pastor Harry A. Ironside (1876-1951), em seu sermão: What Is The Gospel?

27 maio 2009

A missão Caiuá no Jornal Nacional

Olá pessoal,

Tenho muito prazer em colocar este vídeo aqui, porque é a vida de um dos homens que muito admiro nessa terra. Meu primo Benjamim.

Ele é pastor e deu sua vida pelos Índios Caiuá! Pra lá levou hospitais e escolas e muita gente disposta a ajudar a tribo. Eu mesmo tive o privilégio de ir pra lá e trabalhar com os índios, ainda tenho comigo as fotos e as boas lembranças da viagem.

Reportagens como essa mostram que também tem gente séria na igreja Evangélica. Infelizmente, estes são as excessões e com certeza são os que menos recebem apoio da igreja. Ou você já ouviu algum pregador de sábado de manhã pedir grana pra ajudar quem precisa... que nada, querem é comprar espaço na TV.

Existe gente séria e de Deus... inclusive na igreja evangélica. Pena que são muito mais raros do que eu gostaria.

À minha família que está em Dourados, com meus primos Enoque, Daniel, Denis e Miriam e seus familiares, meu grande abraço e admiração. Vocês levaram a mensagem ao pé da letra e os frutos falam por si só!

06 abril 2009

Aquecimento Global x Esfriamento Humano


A ALMA NA UTI…





Uma das maiores fontes de manutenção do amor entre os humanos, a paternidade/maternidade, está na UTI.

O mais poderoso de todos os alteradores de estado de ser e crer que existe entre os humanos, a missão de mãe, está ainda presente em um remanescente fiel, mas a árvore está cortada até a cepa.

A velhice virou 3ª idade, sem reverência e sem carinho.

A infância se tornou um show e um desfile de aquisições, de um lado, ou de mendicância, de outro.

A adolescência acontece nas câmaras virtuais, subjetivas, ausentes, autistas, em pânico energético.

A juventude se perdeu na imaturidade sem tempo pra acabar, visto que a bobagem se tornou o projeto da existência.

A vida adulta está perdida entre a inveja adolescente da juventude etária, e o pânico da inevitável 3ª idade — medo decorrente da culpa em razão de como tratam os pais envelhecidos.

E pensar que um dia João disse:

"Pais, eu escrevo para vocês porque vocês conhecem a Deus desde o principio.

Jovens, eu escrevi a vocês porque vocês são fortes, porque o amor de Deus permanece em vocês, e porque vocês têm vencido o maligno.

Filhinhos, o amor de Deus está em vocês".

Infinitamente pior do que assistir à morte do Planeta é ver todos os dias a morte do homem pela morte do amor.



Caio
3 de abril de 2009

24 março 2009

A sociedade do anel

SALADIN.
Já que é homem tão sábio, diga-me qual lei,
Qual fé lhe parece ser a melhor?
O judaísmo, o cristianismo ou o islamismo?

NATHAN.
Em tempos idos habitou no leste certo homem
Que de valorosa mão recebeu um anel de infinito valor:
Sua pedra, uma opala que emitia sempre cambiante matiz
E tinha, além disso, a virtude secreta de tornar seu possuidor
Agradável a Deus e os homens;
Diante disso e dessa persuasão ele passou a usá-lo.
Não será estranho saber que o homem do oriente não o tenha tirado do dedo jamais,
E tenha tomado providências para que o anel permanecesse entre seus descendentes como herança perpétua.
Dessa forma ele o deixou para o MAIS AMADO dentre os seus filhos,
Ordenando que esse legasse por sua vez o anel
Ao MAIS QUERIDO entre seus próprios filhos
E que, não importando a ordem do nascimento,
O FILHO FAVORITO, pela virtude suficiente do anel,
Permanecesse sempre o senhor da casa.
Está ouvindo, sultão?

SALADIN.
Estou ouvindo, prossiga.

NATHAN.
Passando de um filho a outro,
O anel chegou finalmente a certo pai
Que tinha três filhos, todos igualmente obedientes,
E que ele não tinha como deixar de amar igualmente.
Às vezes parecia ser este, às vezes esse, às vezes aquele –
segundo cada um recebia, a sua vez, as prodigalidades do seu coração – mais digno do anel,
O qual, com bem-intencionada fraqueza, o pai prometeu, em particular, a cada um.
Assim as coisas seguiram por um tempo,
Mas com a proximidade da morte o velho pai viu-se embaraçado.
Desapontar dois filhos que confiavam na sua promessa ele não podia suportar; quê fazer?
Manda chamar secretamente um joalheiro, do qual,
A partir do modelo do anel verdadeiro, encomenda dois outros,
Ordenando que não poupe esforços ou recursos a fim de fazê-los em tudo idênticos,
Inteiramente idênticos, ao verdadeiro.
O artista conseguiu: os anéis foram trazidos e nem mesmo o olhar do pai
Foi capaz de distinguir qual havia sido o modelo.
Cheio de alegria ele chama seus filhos,
Sai com cada um em particular, a cada um concede sua benção e seu anel, e morre. Está ouvindo?

SALADIN.
Estou, estou, termine a história.
Falta muito?

NATHAN.
Já terminou, sultão.
Porque o que segue pode ser adivinhado sem dificuldade.
Mal é morto o pai, cada um aparece com seu anel
Afirmando ser o senhor da casa.
Surgem intriga, discussão, conflito – tudo inútil,
Porque o verdadeiro anel não podia ser mais distinguido entre os outros
Do que, hoje em dia, pode ser discernida entre as outras qual é a verdadeira fé.

SALADIN.
Mas como? Essa é sua resposta à minha pergunta?

NATHAN.
Não, mas serve como meu pedido de desculpas.
Não consigo decidir entre os anéis que o pai mandou expressamente fazer
Para que fossem indistinguíveis um do outro.

SALADIN.
Os anéis – não me venha com brincadeiras!
É evidente que as religiões que nomeei podem ser distinguidas umas das outras
Mesmo em coisas como vestimenta, comida e bebida.

NATHAN.
Mas não o que baste como prova irrefutável.
Não são todas fundamentadas na história, tradicional ou escrita?
A história deve ser recebida na confiança, não é?
Em quem deveríamos confiar?
No nosso próprio povo, por certo, nos homems cujo sangue somos nós neles,
Que desde a infância nos dão provas de amor,
Que nunca nos enganaram, a não ser quando nos era mais benéfico sermos enganados.
Como posso crer menos nos meus antepassados do que você nos seus?
Como posso pedir de você que duvide dos seus antepassados para que os meus recebam o louvor da verdade?
É o mesmo com os cristãos.

SALADIN.
Pelo Deus vivo, o homem está certo.
Devo calar.

NATHAN.
Voltando aos anéis, como eu disse, os filhos reclamaram.
Cada um jurou ao juiz ter recebido seu anel diretamente das mãos do pai, como era de fato o caso,
Depois de ter obtido há muito tempo a promessa do pai de que um dia o anel seria seu, como era também o caso.
O pai, garantiu cada um, não poderia ter agido com falsidade com ele;
Antes de suspeitar de tal pai, por mais que estivesse disposto a julgar com caridade seus irmãos, estaria pronto a acusá-los de traiçoeira falsificação.

SALADIN.
Ah, e o juiz, quero saber o que você vai fazer o juiz dizer.
Vamos, prossiga.

NATHAN.
O juiz disse, Sem chamar o pai diante da minha tribuna
Não tenho como proferir a sentença.
Devo dispor-me a resolver enigmas? Devo esperar que o verdadeiro anel abra os lábios para testemunhar?
Mas esperem – vocês afirmam que o anel verdadeiro
Tem o poder secreto de fazer seu possuidor
Amado por Deus e pelos homens. Seja esse o árbitro.
Qual de vocês, irmãos, ama mais os outros dois?
Não respondem?
Esses anéis geradores de amor agem só internamente, não externamente? Cada um de vocês só é capaz de amar a si mesmo?
Enganadores enganados, é o que vocês são.
Nenhum dos anéis é verdadeiro.
O verdadeiro anel talvez tenha se perdido;
A fim de ocultar ou corrigir a sua perda,
O pai de vocês encomendou três para compensar um.

SALADIN.
Ah, perfeito! Perfeito!

NATHAN.
Então, prosseguiu o juiz,
Se aceitam um conselho ao invés de uma sentença,
Eis meu conselho a vocês: tomem as coisas como são.
Cada um de vocês tem um anel que lhe foi dado pelo pai,
E cada um crê que o seu seja o verdadeiro.
É possível que o pai tenha escolhido não mais tolerar a tirania do anel único.
O que é certo é que, por muito amá-los
E por amá-los da mesma forma,
Não lhe era possível contentar-se em favorecer um para que se tornasse opressor de dois.
Sinta-se cada um honrado por essa livre demonstração de afeto, não distorcida pelo preconceito.
Procure cada um rivalizar com seu irmão na demonstração da virtude do anel;
Ao poder dele acrescentem gentileza, benevolência e longanimidade,
bem como entrega interior à divindade.
Se as virtudes do anel continuarem a serem exibidas entre os filhos de seus filhos
Depois de mil anos, compareçam diante desta tribuna;
Alguém maior do que eu tomará assento nela, e ele decidirá.


O judeu Nathan conversa com o muçulmano Saladin na peça do cristão Ephraim Lessing,
Nathan, o Sábio (1779). Lessing compôs o personagem de Nathan tomando por base
seu amigo judeu Moses Mendelssohn (avô do compositor Félix).


Encontrei no site do Paulo Brabo (Salve salve gênio de letras e pincéis)

25 fevereiro 2009

Sentir é fácil... Difícil é fazer...

Hoje recebi um presente... desses que cortam o coração. Recebi um texto-desabafo-depoimento-desafio. Esses com gosto de "eu queria escrever isso!".

Meu querido Marcelo Quintela escreveu um texto tão cortante que me faltam as palavras e sobram desafios.

A todos que me lêem (vou escrever assim e pronto acabou!) esse texto é o mais auto-explicativo (vou escrever assim de novo) que posso chegar! Ao ler o Quintela, você lê o César absolutamente exposto e revelado.

Tomo as palavras dele pra mim. Este sou eu, ainda que seja ele.

Este é Espírito que habita em mim. O Cristo revelado.

É longo, mas quem me preza, por favor leia até o fim.

Com amor. César

______________________


"Gostaria de não saber destes crimes atrozes... É todo dia agora, e o que vamos fazer? Quero voar pra bem longe, mas hoje não dá! Não sei o que pensar e nem o que dizer: Só nos sobrou do amor A falta que ficou." (R.R.)


Não estou amargurado, é só óbvia constatação: A alienação humana é crescente!

Cresce na mesma proporção que avança o conhecimento inesgotável, a força da grana e a torrente ininterrupta de informação diária!

Triste paradoxo, então: Quando mais funções a exercer, exigências a cumprir e extenuantes horários de trabalho – menos produzimos para a Vida, menos criamos, menos integramos os vulneráveis... Esses "outros" que vivem de catar nossos dejetos, de recolher o desperdício de nossos desejos, de tirar da nossa frente a sujeira que deixamos pelo caminho obstinado de viver em concorrência, comprando o que não precisamos, com o dinheiro que não temos, para exibir para os que não gostamos!

Você me dirá: “Não sou alienado não. Ao contrário, sou antenado. Sei de tudo!”

Pois é, essa é a primeira geração de seres humanos que sabe de tudo e de todos, e, contudo, no máximo sente afliçõeszinhas passageiras com noticiários diários da urbanidade desvairada.

Sentir angústia ficou coisa fácil.

Difícil é fazer alguma coisa mesmo!

Anda todo mundo aflito com tudo, mas pouca gente se mexendo para algo.

Anda todo mundo preocupado com os destinos de tudo, mas isso não vale mais que uma conversa de bar; é so um assunto "corta-tesão"! "Deixa pra lá... O Obama vai resolver, o "pré-sal vai solucionar!" - e coisas desse tipo.

Quanto mais informação, mais desinteresse... Essa que é a verdade factual. Assistimos a calamidade dos muitos mundos ao nosso redor pela telinha que faz tudo ficar longe; e o fazemos como quem ouve o relatório de uma Ata. É ouvir, aprovar e guardar... Vamos para casa dormir, daí.

E os mais sensíveis? Eles choram; e chorar os aliviam e pronto. Ajuda a rir no dia seguinte, quando tudo já foi esquecido.

Eu trabalho o dia inteiro. Sou filho desse tempo. Também não tenho tempo. À noite, brinco com meus filhos, abraço minha mulher e leio um livro qualquer dentro do meu lar-prisão, da minha casa-bunker. Na clínica, enquanto atendo gente a cada meia-hora, ainda respondo dezenas de emails e telefonemas o tempo todo. Faz tempo não sou dentista, virei "gentista"! Foi sem querer. Eu só queria ser um bom profissional, mas as pessoas cheias de dorer mudas, vieram ao consultório acompanhadas de suas bocas (eu só queria suas bocas), e passaram a falar e falar...

Além disso, faço uma tese aqui, publico artigos cientificos bobinhos ali e dou aula acolá...Viajo o Brasil todo!

Inquieto como é minha geração, eu cuido da vida de "sonho americano". Corro atrás do pão nosso de cada dia. Do pão, da pizza, do ar condicionado e da melhor escola da cidade! – esses são meus cuidados. Cuidados de um cidadão!

De uns quatro anos para cá, todavia, minha vida ganhou uma nova dimensão de atuação que me deu saúde em meio às tensões do dia-a-dia. Eu que já flertava com as águas que Deus move, agora mergulhei de cabeça mesmo!

Eu me meti a ajudar gente. Estender o braço. Dar força ao cansado. Prover dispensas e encher geladeiras.

Eu me atrevi a sair da minha zona de conforto, me atrevi a dividir cargas e dar o que Deus me deu!

Todo dia alguém me pergunta: Você não cansa?

Canso. Mas com nada disso.

Solidariedade não cansa. Fraternidade renova as forças do Ser.



Abri em Santos (São Paulo) um centro de palestras. Tenho um auditório dominical. De lá eu prego o que creio. Arranjei uma Causa pela qual viver e morrer. Sartre já dizia que sem uma causa para morrer, a gente não consegue viver! Então, desse lugar (em especial) eu anuncio o Evangelho – proposta de saúde humana integral: Perdão para a alma culpada, Pão para o corpo fraco, Afeição relacional para o espírito solitário. E isso que é o Evangelho.

Abri em Santos um espaço secular. Tão secular como secular é o próprio Evangelho! Feito para o mundo e ao alcance de todo homem! Secular porque não-religioso. Secular porque fala com o mundo com a linguagem do mundo! E só não entende quem não quer, só não entende quem odeia o amor!

Secular, principalmente, porque não acredito em religião.

Não acredito na representação de Deus na Terra, nas agências oficiais, exclusivas.

Não abomino e nem desprezo a história de gente da religião que mudou a história de gente sofrida.

Só não acredito que a força das megas-religiões seja a força de Deus no mundo! Deus é anônimo, Deus é marginal. Deus é carpinteiro, Deus não é marqueteiro!

Por isso, não acredito que a “prestação de serviços espirituais” presta para alguma coisa que vá para além das formalidades de batizar, casar e enterrar seus súditos discípulos culturais. Além disso, o que se vê - é ninguém me poderá contradizer - é só extorsão por parte dos mercadores da fé e dos corretores das bolsas de valores espirituais. Há também a outra turma: O pessoal "do bem" que "pensa" a Fé e que quer dar VIDA ao que nasceu morto: o cristianismo e suas ramificações dissidentes! Aí ficam fazendo ressucitação cardio-pulmonar em múmia! Tanto por tão pouco!

Eu juro que presto atenção no que eles dizem, mas no fundo eles não dizem NADA, NADA, NADA, NADA, não!

Teologia me dá nojo! Eles discutem "Deus" enquanto o problema é o "homem". Eles refletem sobre o fim do mundo enquanto “o futuro é o presente; e o presente já passou!”

Já cansei também do sindicato anti-evangélico... gente abusada por um padreco aqui e "dizimada" por um bispo universal ali... O pessoal que fala pelos cotovelos contra a "igreja", mas não se mexe para NADA! Cansei dos caras que mandam os chefes da religião para o inferno, mas não vão até lá buscar os que nele vivem! Viciaram-se em criticar, descer o cacete na cabeça dos pastores milionários e dos padres pedófilos, enquanto engordam as próprias contas bancárias e zapeiam de madrugada por canais eróticos e sites pornôs!

É lógico que meu "canteiro de esperanças" chamado ESTAÇÃO do CAMINHO DA GRAÇA (www.caminhoemsantos.blogspot.com) quer todo dia virar “igreja” (no pior sentido do termo: lugar de cultuar a sorte de possuir uma espécie de blindagem comunitária contra tetos que caem na cabeça do pessoal que não fica debaixo da nossa cobertura imantada!).

Sim, nesse meu espaço de encontro do Evangelho com a secularidade, a tentação dos infernos todo dia me propõe virar “religião” (e isso também no pior sentido do termo: “vamos fazer uma cabana aqui mesmo e ficar aqui dentro com as grandes figuras do panteão judaico-cristão, onde, de modo algum, NADA nos acontecerá!”).

A proposta da religião é o chamado à alienação da solidariedade! É o chamado covarde para dentro de uma Nave-Mãe, um Templo Maior, uma Catedral de Cristal, um Vaticano - Estado ideal, a Arca de um Noé que vai assar um bicho por dia durante o dilúvio de iniquidades desses dias chamados "maus".

Não falo só de alienação social. Não sou marxista não. Percebo que o pessoal sofre da alien-ação de um “alien” mesmo!

É uma ânsia de ser diferente só pra ver se Deus poupa a gente dos holocaustos que fritam diariamente toda gente! O crente, de um modo geral, é um “alien” sim! Ele pensa que não tem compromisso com esse chão maldito, já que "não é desse mundo". Daí sua motivação ser alienada e egoísta, pois o indispõe a cuidar de uma Terra cheio de áfricas órfãs e viúvas trabalhando até morrer de exaustão! Ou o fará somente se os tais "venderem" suas almas à cartilha por eles pregada em cruzadas assistencialistas, num verdadeiro "veste-índio colonizado" dos tempos modernos.


Parece que nunca ouviram dizer que, no final, Ele dirá a quem amou: "Quem deu a algum dos Meus pequeninos, a Mim me deu!"


Minha esperança é a esperança de um peregrino, de um forasteiro existencial, de um cara de passagem que enquanto passa, não quer deixar passar a chance de “SER” na direção do outro que “É” como eu, entretanto, sem as oportunidades e favores que eu mesmo tive! É simples assim.


E, ou será assim, ou eu é que deixarei de “SER”!


É por isso que não organizei departamentos e ministérios intra-muros nessa Estação-Espaço Comunitário. Senão, daqui a pouco, estou eu envolto com a agenda frenética de jantares de confraternização, de noites de caldo verde, sorvetadas e vida de clube! Senão, daqui a pouco, estou eu envolto com a escala de músicos, com o registro de atas, com as classes de catequese, a pintura da fachada e a decoração dos gabinetes sacerdotais como quem pensa, com tudo isso, estar fazendo toda a Obra de Deus na Terra! – num “chamado” para dentro do umbigo institucionalizado!


To fora! Fora. Bem fora! Lá fora. Debaixo do sol de Samaria e da Baixada Santista!


O movimento "Caminho da Graça" quer ser contemporâneo? Quer responder às demandas reais desse tempo?

Então, vamos para fora! O "Sacrifício" foi lá fora dos portões da cidade da Religião. Apadrinhem crianças, adotem ONGs, se incluam nelas, organizem a assistência, para atingirem o máximo de desafortunados possível. Tem ONG (termo genérico) cuidando de crianças drogadas, de pequeninos hospitalizados e de jovens-sem-futuro.


Ora, preguem o Evangelho do Amor, e se necessário for, usem até palavras. Mas, enquanto fazem discursos, fomentem recursos humanos e materiais na direção daqueles que já realizam um trabalho de vossa confiança, como temos aqui:

www.projetoondas.org com o Jojó de Olivença, no Guarujá
www.aascidadania.com.br e voluntários do Riso, em Santos
www.projetocamara.com.br em São Vicente


Isso é pouco? Sim, quem dera fosse mais. Com você junto, quem sabe, seria mais.

Só é alguma coisa porque é melhor que o NADA que a maioria faz!


São as coisas que me cabem hoje. Amanhã será depois. São iniciativas conduzidas por gente que eu confio, que eu amo e admiro! Gente que não ganha nada com isso, que não tem ONG-fantasma e nem intenção política. Gente que escolheu ser gente de Deus. Gente que senta para me ouvir domingo à noite, mas depois levanta como quem ouviu o soar do gongo no ringue.



Porque agora já virou uma questão de escolha.

Eu escolhi.



Ora, dentro desse texto rápido qualquer psicanalista identificará as feridas que me feriram e dirá que é tudo sublimação.



Whatever! Vou curar minhas feridas drenando abcessos alheios.

Já faço isso há muito tempo. Meu alívio é ver o alívio do outro.

Vem comigo, por favor.

Na mesma Graça,

Marcelo Quintela

21/02/2009

04 fevereiro 2009

"Deus" como Diabo e o Diabo como "Deus"





Muita gente me escreve de fato na dúvida, querendo uma confirmação...

Outros, no entanto, escrevem querendo uma validação para o que já decidiram.

Outros ainda escrevem por estarem mesmo completamente perdidos, sem saber o que fazer.

Há ainda os que escrevem apenas por curiosidade, desejosos de apenas saberem o que digo, às vezes até para discutirem com outros...

Respondo a tudo o que consigo, com todo amor. Aliás, somente separar o tempo, no meio de tantas coisas, para responder cartas e cartas, creia, somente se for pela força do amor, pois, muitas vezes, a alma fica sem ânimo ante um trabalho sem fim.

Quando leio uma carta, em geral vejo que a própria carta já trás consigo a própria resposta que a pessoa carece.

Entretanto, a pessoa menciona a solução como problema ou impossibilidade da vontade de realizar.

Sim! A maioria sabe o que fazer, mas apenas não o deseja ou diz que não consegue por não querer conseguir.

Isto porque quando se está tomado pela força do desejo, da paixão, da fixação orgulhosa ou do egoísmo inflexível, fica-se cego para tudo aquilo que, de outra forma, saberíamos exatamente o que é e como proceder.

Ora, isto apenas mostra que grande parte do que nós chamamos “meu problema”, quase sempre deveria ser chamado apenas de “meu desejo”.

Então, nesse caso, estabelece-se a luta entre a consciência fragilizada e o desejo ou a idéia fixa; e, quase sempre o desejo vence para a problematização e a infernização da vida da pessoa.

Afora os problemas que envolvem circunstancias complexas ou problemas mentais, os demais são apenas caminhos criados pelo desejo.

E mais: quando não são criados pelo desejo são criados pela necessidade moldada pelo grupo a que se pertence, no caso, a “igreja”.

Sim! A maior parte dos problemas que aqui trato ou respondo, são problemas que decorrem do sexo reprimido, e que, uma vez solto, descaceta a pessoa e a põe como que ladeira abaixo... sem controle e de modo completamente compulsivo.

Então, quando não seja sexo o problema, no entanto, quase sempre os demais problemas decorrem da culpa herdada pelos excessos neuróticos da “igreja”.

Uma pessoa “de fora” lê as angustias aqui expressas por muitos, e não entende nada. Algumas me escrevem querendo saber se, caso se convertam, ficarão com aquelas mesmas seqüelas dos crentes.

Ao respondê-las sobre isto digo “não”.

Digo que dependerá do que a pessoa tiver na mente, de que grupo freqüente, e, sobretudo, de como se fundamente a fé da pessoa, se na Palavra de Deus ou nas doutrinas dos homens.

O fato é que o Evangelho mesmo, sozinho, sem “igreja” e sem “doutrinação moral”, jamais poderia fazer mal a ninguém.

E mais: sem os “pastores-lobos” ou sem os “pastores-perdidos”, nenhuma pregação do Evangelho criará nada na pessoa que não seja vida e paz.

Porém, o uso errado do Evangelho, misturado com toda essa confusão de “igreja”, adoece a alma tanto ou mais que uma boa macumba, posto que tudo seja feito em nome de Jesus, o que faz com que a alma se perturbe mais do que quando pratica a mentira em nome do diabo.

Macumba faz menos mal à mente do que uma crença cristã sem Deus.

Sim! Pois na macumba ninguém vai pensando em bondade ou em Deus. Lá tudo é como é; ou seja: existe a franqueza do objetivo maldoso e manipulador.

É melhor lidar com o diabo como diabo do que com o diabo como “Deus”, que é o que acontece na crença cristã sem Deus, sem Jesus e sem Evangelho.

Digo isto porque pior do que o diabo é “Deus” como um diabo.

Ora, a maioria dos crentes, na prática, lida com “Deus” como diabo e com o diabo como “Deus”.

“Deus” como diabo porque o “Deus” dos crentes é tão cheio de venetas malucas e perversas como um diabo.

Diabo como “Deus” porque o diabo dos crentes é, na prática, em geral mais poderoso do que “Deus”.

Assim, o “crente” segue oprimido por “Deus” e pelo diabo; e mais: pelo “diabo” dos “crentes”, que é mais poderoso do que o diabo real.

Ora, a maior dificuldade do Evangelho no coração dos crentes viciados em “Deus” como diabo e no diabo como “Deus” está no fato de que eles não sabem fazer a diferença.

Sim! Deus e o diabo se parecem muito na cabeça dos “crentes”.

Na maioria das vezes o que distingue um do outro é apenas o discurso, pois, na prática, eles, “Deus e o diabo”, se parecem muito.

Ora, tal ambigüidade e ambivalência em Deus e no diabo é o que faz a devoção dos crentes um exercício de medo e pânico.

Por isto os “crentes” não gostam de silencio, nem de quietude e nem de culto sem muita agitação, pois, no silencio mora a indefinição entre “Deus” e o “diabo”.

Se você não entendeu ainda nada, digo:

Quando você se converter entenderá então tudo o que estou dizendo e verá tudo com extrema clareza.

Até lá, todavia, fica a dúvida, a qual eu provoco em você na intenção de ver se sua mente fica livre do “Deus/diabo” e do “diabo/Deus”.

Pense nisto!

Nele, que é amor,

Caio
4 de fevereiro de 2009

Tarântulas

Valeu Pavablog... esse texto é f#*!%&!!!!


Das Tarântulas


Pois que o homem seja redimido da vingança: esta é para mim a ponte para a mais alta esperança e um arco-íris depois de longas intempéries.

Mas outra coisa, sem dúvida, é o que querem as tarântulas. "É precisamente isto que se chama para nós justiça, que o mundo fique repleto das intempéries de nossa vingança" - assim falam elas entre si.

"Vingança queremos exercer, e ignomínia, sobre todos os que não são iguais a nós" - assim se juramentam os corações de tarântula.

"E 'vontade de igualdade' - este mesmo deve ser, de agora em diante, o nome da virtude; e contra tudo o que tem poder queremos levantar nossa gritaria!"

É assim, ó pregadores da igualdade, que o delírio tirânico da impotência grita em vós por "igualdade": vossos mais secretos apetites de tiranos se camuflam assim em palavras de virtude!
Contrariada vaidade, contida inveja, talvez vaidade e inveja de vossos pais: de vós irrompe como chama e delírio de vingança.

O que o pai calou toma a palavra o filho: e muitas vezes encontrei o filho como o segredo desnudado do pai.

Aos inspirados se parecem eles: mas não é o coração que os inspira, - mas a vingança. E quando se tornam finos e frios, não é o espírito, mas a inveja, que os faz finos e frios.

Seu ciúme os conduz também pelas veredas do pensador; e esta é a marca de seu ciúme - sempre vão longe demais: até que seu cansaço acabe por se deitar na neve para dormir.

De cada um de seus lamentos ecoa vingança, em cada um de seus louvores há um fazer-mal; e o ser-juiz parece-lhes a felicidade.

Assim, porém, vos aconselho, meus amigos: desconfiai de todos em quem o impulso de castigar é poderoso!

É um povo de má espécie e ascendência; de seus rostos olha o verdugo e o cão de caça.

Desconfiai de todos aqueles que falam muito de sua justiça. Em verdade, em suas almas não falta somente mel.

E quando denominam a si próprios "os bons e os justos", não esqueçais que para serem fariseus nada lhes falta, a não ser poder!

Meus amigos, não quero ser misturado e confundido.

Há aqueles que pregam minha doutrina da vida: e ao mesmo tempo são pregadores da igualdade e tarântulas...

Friedrich Nietzsche, em Assim falou Zaratustra.

06 janeiro 2009

10 Princípios para você ser bem sucedido


Bom, tá aí uma boa leitura pra você começar bem 2009:

01 - Creia que sua vida cumpre um propósito divino na terra. Você é influenciado pelos genes que herdou de seus pais e é bastante "circunstancializado" pelo meio no qual vive. Entretanto, mais forte que as determinações genéticas e os condicionamentos do meio social, é o seu chamado para ser. Você foi criado como um sacerdote neste universo de Deus. Por isso, você existe e sabe que existe. Encha sua consciência com esse significado. Quando você assumir sua vocação para ser, as outras pessoas vão "encontrar" você.

02 - Creia que seu dia ganha força e energia espiritual quando você ora. Portanto, ore sempre. Mesmo nos seus afazeres. Sempre que uma notícia ou informação lhe chegar, entregue-a a Deus. Ofereça a Deus os potenciais e as possibilidades que cada fato, percepção ou impressão lhe trazem ao coração. Além disso, pare um pouco todos os dias, ainda que seja só um pouco, e ore. Dê graças por tudo e abrace o Senhor no seu coração. Quando orar, peça coisas específicas, mas não se esqueça de sempre terminar de modo submisso e geral, dizendo: "Seja feita a tua vontade, assim na Terra como nos céu". Afinal, você não sabe se o que quer é o melhor. Mas o Senhor sabe!


03 - Creia que a maior inteligência que Deus lhe deu não é a intelectual nem a emocional, mas, sim, a inteligência. "O coração tem razão que a própria razão desconhece." Usar a cabeça (inteligência intelectual) e saber se relacionar com o próximo e as circunstâncias (inteligência emocional) é fundamental. Mas não é essencial. O essencial habita os mistérios do espírito, no mundo do coração. Portanto, dê atenção aos seus sonhos noturnos e aos seus sentimentos perceptivos. Quando você tiver uma "impressão", não a despreze de cara. Medite. Ore. Discirna. A resposta pode estar no passado. Mas, às vezes, trata-se de uma intuição profética. Pode ser um alerta sobre o futuro. Nesse caso, ore, corrija a rota, e prossiga.


04 - Creia que quando alguém ama a Deus, ao próximo e respeita a vida, então tudo ganha sincronismo e conectividade. Isso é apenas um outra forma de dizer que "todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus". O amor a Deus traz sentido para a sua vida. O amor de Deus transforma o cenário mais absurdo numa conspiração do bem.


05 - Creia que a leitura bíblica feita com os olhos do coração ilumina a alma e os caminhos da Terra. Ler a Bíblia é importante. Mas lê-la com os olhos da alma é essencial. Quem lê com o intelecto enxerga textos e os compreende. Quem lê com o coração discerne "caminhos sobremodo excelentes". Faça da leitura bíblica não apenas um meio de fortalecimento espiritual. Leia-a como caminho de descoberta e de insights para a sua visão do mundo, de si mesmo e de Deus.

06 - Creia que uma atitude mental positiva tanto é resultado de uma espiritualidade sadia como também pavimenta o caminho de todo ser humano bem-sucedido. Eu costumo dizer que mesmo ateus-positivos se dão melhor na vida que ateus-negativos. O mesmo princípio se aplica a cristãos.

07 - Creia que generosidade e dadivosidade são forças espirituais poderosas e que atraem para quem as pratica as melhores oportunidades e possibilidades da vida. Por isso é tão importante dar dízimos e ofertas. Escolha causas, projetos e pessoas nos quais você acredita e dê no mínimo 10% dos seus ganhos para essas iniciativas. De fato, fazendo assim, você está abrindo portas invisíveis para você mesmo. E lembre-se: faça isso com entusiasmo e alegria.


08 - Creia que o que diferencia o fazer do não-fazer é apenas uma decisão seguida de gesto simples. Assim sendo, nunca adie o início de qualquer coisa na qual você acredita se a oportunidade se apresentar e seu coração responder com paz e fé. O gesto necessário, tanto para se levantar de cama quanto para levantar a cama, é um só: colocar-se de pé. Daí Jesus dizer "Levanta-te, toma teu leito e anda".


09 - Creia que a melhor composição de imagem exterior e de virtude interior para um cristão é aquela que combina a "simplicidade dos pombos" (imagem exterior) com a "prudência das serpentes" (virtude interior). Sendo assim, seja astuto por dentro e simples por fora. Sempre dá certo e protege a vida.



10 - Creia que a maior bênção de possuir uma conciência é poder usá-la para auto-examinar-se todos os dias. Quem se auto-examina resiste melhor às criticas, pois se utiliza delas para diminuir seus próprios equívocos, e se mostra imune a eles quando a consciência o convence de estar fazendo aquilo que é certo. Auto-exame é o que faz a diferença entre aqueles que vivem para preservar sua imagem e a reputação daqueles que vivem para o que é verdadeiro e real.


Rev. Caio Fábio

24 dezembro 2008

Post de Natal!


Olá para quem me lê... Feliz Natal pra você!

Que Deus continue nos dando Graça, que é melhor do que a vida.
Deixo um texto de presente!

Afinal, conhecer a si mesmo é uma benção, conhecer a Deus é uma maravilha e conhecer a Graça e algo ainda não traduzido em palavras.


Que você cresça em Deus e cresça em Graça!
Feliz Natal.

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Porque eu digo que creio no evangelho?

— é a pergunta que todo discípulo de Jesus deve se fazer de vez em quando. Isto porque em fases distintas da vida a gente mantém diferentes perspectivas de quem é Deus para nós, quem somos nós para Ele, e quais são nossas motivações em relação a Deus no que diz respeito ao nosso modo de viver a fé, e, sobretudo, de senti-la e expressa-la no mundo.

A maioria das pessoas pensam que a única maneira de servir a Deus é se dedicando às programações da igreja, a ter gosto por reuniões de oração, e não ter vergonha de “falar de Jesus” a todos os que encontrarem.

O trabalho na vida normal é, para tais pessoas, uma coisa suportável, na melhor das hipóteses. Mas, a maioria, sofre o trabalho, pois gostaria de servir apenas a causa de Deus, que é fazer a igreja crescer, e, assim, dominar a sociedade com a influência dos cristãos.

Enquanto isto, entre os pastores, a motivação para pregar a palavra vai da admiração aos “maiores” líderes, ao querer ser útil a Deus, ao ter um nome entre os grandes, ou porque o indivíduo sente que se ele não defender a verdade, ela corre o risco de se perder na Terra.

Sem falar daqueles que pregam apenas porque precisam faze-lo, pois servem-se desse expediente a fim de ganhar dinheiro.

Não podemos esquecer também do pastor cansado e desanimado, e que prega gemendo, pois, caso pudesse viver sem o dinheiro da igreja, ele mesmo se aposentaria de tudo.

Existem ainda os sinceros, e que pregam com amor aflito e angustiado, pois crêem que se não anunciarem a Jesus, e não plantarem novas igrejas na Terra, o mundo inteiro está perdido, posto que Deus está de mãos amarradas e sem voz no planeta, a não ser que nos disponhamos a falar e agir por Ele.

De um modo geral, a maioria se acostumou a ser “de Jesus”, e não tem nem coragem de perguntar se aquela fé é verdade na vida dele, se realiza em sua existência o bem prometido.

Quando a existência vai se mostrando tão aflita como a de qualquer outro ser humano da Terra, e quando o “benefício espiritual” não se manifesta como amor, alegria, paz, bondade, longanimidade, mansidão e domínio próprio—mas sim como infelicidade, amargura, ânsia persecutória, juízos e frustrações; então, a honestidade manda perguntar: O que está errado? É o Evangelho que não é verdade? Ou será que eu, na verdade, é que não vivo em verdade o que é o Evangelho?

Tem gente que pensa que o Evangelho é o corpo de doutrinas da igreja e seu modo de entender o mundo. Tem gente que pensa que o Evangelho é algo para se ensinar, pois, seria pela propagação da informação que a salvação visitaria a Terra.

Tem gente que pensa que o Evangelho é a igreja, de tal modo que ele mesmo é capaz de se referir ao crescimento da igreja no país como o “crescimento do evangelho”.

O Evangelho é a Boa Nova.

O Evangelho é a certeza de que Deus se reconciliou com o mundo, em Cristo; e que agora os homens podem se desamedrontar, pois foi destruído aquele que tem o poder da morte—a saber: o diabo—; bem como foram libertos aqueles que estavam sujeitos à escravidão do medo da morte por toda a vida.

Quem crer está livre, e pronto para começar a andar na paz. Ora, para se ter prazer em pregar o verdadeiro Evangelho—sem medo, sem ameaça, sem barganha, e sem galardão quantitativo, mas apenas qualitativo—, só se o coração estiver grato e cheio de amor.

Ou seja: só se o indivíduo estiver tão pacificado na Graça, que pregar seja algo tão simples quanto o é para uma mangueira dar seus próprios frutos.

Quando o Evangelho é a Boa Nova que livra do medo, então, anuncia-lo só é possível como puro e simples fruto da alegria e da gratidão contente.

Eu acredito no poder do amor, da alegria, da gratidão e do contentamento. Por tais realidades espirituais é que a Boa Nova pode ser vivida e anunciada sem que a morte participe da motivação.

A alegria de conhecer a Deus é o único motivador que deve motivar a anuncio do Evangelho. Portanto, quando o benefício do Evangelho se manifesta como bem espiritual—e que se expressa como amor, alegria, paz, bondade, benignidade, longanimidade, mansidão e domínio próprio na existência do indivíduo—, então, o seu anuncio não é nunca uma forçassão de barra, mas algo próprio e simples, a gera alegria nos corações dos que ouvem, pois, antes de ouvirem, eles mesmos viram o Evangelho na existência daquele que o anuncia.

O Evangelho é Verdade. Mas só é ele que está sendo anunciado quando o resultado realiza libertação interior, pacificando o coração.

Do contrário, tem o nome de evangelho, mas não é o Evangelho mesmo.

Tem gente que se acostumou à miséria de uma existência sem paz e sem libertação do medo, e continua pensando que isto tudo é culpa do diabo, ao invés de perguntar a si própria: Será que aquilo no que creio é de fato o Evangelho?

Preste atenção: o diabo tem poder, mas não tem nenhum poder quando o Evangelho da Graça liberta a consciência humana do medo.

Deste dia em diante o diabo não participa mais de nossa vida, nem quando a gente peca. Isto porque uma coisa é pecar sem consciência da Graça. Outra é pecar com a consciência da Graça.

No primeiro caso estabelece-se tristeza amargurada. No segundo caso, surge a renovação da consciência, brotando o arrependimento feliz e cheio de produções de vida.

Quando o Evangelho é crido, o medo se vai. Então, o diabo perde seu poder.

Assim, sem medo, o homem pode começar a si negar, pois ele já não tem que negar quem é.

Assim, assumindo quem ele é, morre o “si-mesmo”, que é quem ele não é, mas apenas “demonstra ser”.

Aí, neste ponto, começa a jornada de uma crescente libertação na verdade.

E o resultado é um mergulho cada vez mais profundo na paz que excede a todo entendimento.

Cristãos nervosos afligem-se com doutrinas.

Discípulos de Jesus usufruem a verdade como libertação e pacificação.

Onde há o Evangelho, aí há paz!

Caio

10 dezembro 2008

2 Denários


Li esta mensagem em um grupo de emails que participo. Acredito que será uma ótima leitura para você também... afinal, quem é teu próximo???

Domingo à noite, após a reunião, fomos até o centro da cidade para ver uma apresentação natalina. Estava muito cheio gente e permaneci de longe tentando ouvir. Passado algum tempo chegou uma pessoa que fazia um tempo eu não via. Uma cristã verdadeira, porém absorvida em pensamentos e concepções evangélicas, que não do Evangelho. Não a julgo de maneira nenhuma, pois faz o que muito fiz. Por aqui nesses dias é inevitável as perguntas: “ E vocês estão bem? Foram afetados pela enchente?”.

Após saber que tudo estava bem, ela começou sua explanação de livramento: “Eu passei a noite repreendendo pra gente ficar imune, afinal Deus faz diferença entre seus justificados pelo sangue de Jesus. Mesmo que seja verdade que muitos crentes foram atingidos” E eu sem querer ser grosseiro só dizia: “pois é”. Tentei desconfortá-la: “Acho que quem Deus “imunizou” tem o dever de ajudar os afetados não é? Fiquei triste de ver igrejas mantendo suas programações normais, enquanto a água engolia muita gente. Sua igreja fez algo em favor das pessoas?” . “Não” ela me disse. “temos lá 3 cestas básicas mas Deus não nos mostrou o que fazer com elas”. Eu ouvi isso ao fundo de hinos cristãos em praça pública, executados por “mundanos” que fizeram uma campanha pra arrecadar brinquedos usados pra crianças na redondeza pra não passarem o natal em branco. Fui remetido a uns minutos antes, quando estávamos na reunião da estação lendo em Lucas 10, o bom Samaritano, onde conclui:


Um teólogo perguntou a Jesus: Mestre que devo fazer pra ser um salvo? Ao que Jesus respondeu: Como resumes tua teologia? “ Amar a Deus sobre tudo e de toda forma, e o próximo como a si mesmo” – respondeu o teólogo. E Jesus retornou: “bingo”, faz isso e serás salvo. Infelizmente, Jesus ouve sua última pergunta:“Quem é o meu próximo?”.

Então Jesus decide contar uma história:

Certa família foi pega de surpresa por uma tragédia. Uma chuva intensa, fez com que um barranco desmoronasse nos fundos de sua casa e trouxe lama até sua cozinha. Eles olharam e viram que muito mais podia vir abaixo. Quando desceram a rua pra pedir ajuda pra salvar os móveis, perceberam que estavam ilhados pela água que havia tomado a rua com mais de 1 metro de altura. Ficaram desesperados por uns 4 dias, mesmo tendo sido alojados num galpão de uma igreja católica pela defesa civil. Pouca coisa sobrou de seus poucos pertences e a casa condenada.

Diante da situação um pastor lamentava, pois as coisas podiam ser diferentes se esse povo se voltasse pra Deus. Desse modo as pessoas ficariam protegidas, assim como ele foi. Por isso não pode parar, ele tinha um culto pra prestar ao Deus que o socorreu. Era também dia de entregar sua oferta no altar.

Logo depois, passou um ministro gospel, que teve de fazer um contorno imenso por outro caminho pra chegar no templo. Quase chegou atrasado pra campanha de 72 horas de louvor sem interrupção. Felizmente chegou bem no horário de sua escala.

Pra salvação da família que havia perdido tudo, um próximo bem distante, quem sabe de Recife, São Paulo ou Porto Alegre ou mesmo do outro lado da cidade, falou com sua patroa:“ Pega umas roupas e aquele colchão do quarto de visitas. Pega também uns 2 denários lá na gaveta pra comprar uns mantimentos. Tem uma carreta que vai levar isso pra umas pessoas que precisam mais do que nós. Depois com o décimo terceiro a gente vê se consegue ajudar um pouco mais.

No final a pergunta de Jesus: Qual desses é o próximo?

Amar a Deus com força, coração, alma e entendimento é direcionar o serviço ao próximo, mesmo que seja com apenas 2 denários.

Denário = renda pelo trabalho de 1 dia. Na média salarial brasileira uns R$ 25,00.

Ronie no Caminho da Graça - Estação Brusque

08 dezembro 2008

Em todos os cantos

Estava sujo de lama quando o vi. Os olhos cheios de lágrimas que escorriam revelando finas linhas de pele escura sob o lodo malcheiroso da enchente. Chorava entre as casas destruídas, entre os destroços, entre o desespero. Vi o amor escorrendo como lágrima em dor e angústia e o desejo de abraçar a todos.


Vi-o também caminhando convicto carregando móveis, roupas e eletrodomésticos completamente destruídos, escorrendo suor, juntando entulhos, limpando bueiros.

Encontrei-o fardado, em tanques e caminhões, carregando macas. Vislumbrei-o de longe, chorando e assustado em casas inacessíveis.

Vi-o passando fome, bebendo água contaminada.

Observei a força de seus braços carregando alimentos e colchões. E vi o misto de tristeza e esperança em seus olhos enquanto separava roupas, brinquedos e comida nos galpões que recebiam doações.

Encontrei-o criança, inseguro, agarrado na saia da mãe; e idoso, suportando o rombo que lhe rebentou a alma enquanto toda sua vida deslizava em avalanches de lama, árvores, telhas e história.

Abracei-o, enfim, num canto isolado e inacessível, e choramos juntos.

Nos últimos 10 dias, Deus estava por todos os cantos em Blumenau.

Via A Trilha

02 dezembro 2008

Oi, cheguei


Ahhh, cheguei!

Oi filhão, estava lhe esperando...

Imagino mesmo, puotzzz, olha que horas são! Tá cada vez mais difícil chegar aqui.

É, eu sei (risos); mas é difícil PARA VOCÊ!!! Eis uma das vantagens de viver fora deste mundo doido, de seus compromissos, agendas, congestionamentos, ansiedades; me dá até pena!

Ué, até parece que tá supreso?!

Eu??? Imagina, só acho que é doidera mesmo, só isto! Mas vamos lá, senta aqui; tá com cara de cachorro sem dono; quer cafuné, quer que eu fique pirulando a orelha?

É meu véio, tá meio feia a coisa; na verdade sou eu mesmo. Essa dor que não passa, preocupação, umas culpas bestas, sei lá cada sentimento e vontade que surgem! Tenho tomado até uns comprimidinhos, mas nada! Fica aqui dentro pulsando feito um coração concorrente...

Filhão, eu já senti isto e você sabe; é difícil ouvir isto, mas vai passar; claro que seria melhor se afastasse este cálice, como disse Jesus, mas vai passar.

Engraçado como antes eu lhe achava grande e eu pequeninho, agora que eu cresci, engano-me pensando que sou maior, mas chegando bem perto dá para ver o quanto sou pequeno e dependo deste chamego, de sentir criança de novo, de me achegar a seu peito, ouvir você dizer tudo isto!

Sabe que é engraçado moleque? O quanto é engraçado a gente demonstrar carinho; a gente paga cada preço por isto, custa a própria vida!

Acho que porque somos de gerações diferentes, a essência pode ser igual, mas demonstrar carinho é sinal de fraqueza, sabe que homem não chora né!?

Não chora pra fora!
Até rimou rssss
Mas como você é meu eterno moleque-menino, pode chorar rsss

Rssss
Não quer saber se aprontei hoje, já que sou menino e moleque para você? rsss

Rsss, Cê acha realmente que eu não sei? Cara-de-pau você!!! Posso até ver tudo o que fez.

Ah, eu sei que agora não, está em outra fase, outro ciclo, mas você já esteve em minha pele, na minha idade, com meus hormônios rssss

Já, já... Por isto que eu sei! Já senti tudo isto, mas não era sem-vergonha!

Tá bravo?

Imagina, eu amo você, você terá um filho ainda e entenderá; você acha que me surpreendo com você? Se você se visse chupando sorvete de chocolate... era previsível a melequeira rsss Você cresceu e seus sorvetes são outros, mas a melequeira e a previsibilidade são iguais rssss
Mas tente ser mais limpinho, né porqueira?
Lembra que sua avó dizia: Tenha bons modos menino? Então, digo o mesmo, na verdade ela quem dizia o mesmo que eu, por incrível que pareça, eu que a ensinei! rsss

Tá bom, eu sei, até por isto que tenho me sentido mal e mau, haja comprimidos...

Filho meu, esquente a cabeça não, eu levei sobre mim todas as dores, em minhas pisaduras você foi sarado, eu amei a você antes da criação do mundo; não carregue um peso que não é seu; já foi levado na cruz.
Só de você estar aqui, falando comigo, já é sinal que o seu peso foi levado, relaxa, desarme-se...

É DEUS, tentarei ser prático com tudo isto, obrigado pelo carinho; vou dormir, não sei se tudo isto é alucinação do sono, ou se quando eu falo com o Senhor, isto tudo acontece.
De qualquer forma é bom fantasiar com um DEUS que é bonzinho e carinhoso.

Ah se você soubesse meu filho, ah se você soubesse. Um dia saberá!
Durma com DEUS, opsss, durma comigo rssss
Já dormiu né!? Enquanto você dorme eu ainda vou fazendo umas coisas por e para você!!!



Texto escrito pelo Dinho, o Dorminhoco do Caminho no ABC

A igreja quebra galho da videira

Olá pessoal, Me perdoem por demorar tanto para postar.
Graças a Deus estou trabalhando muito e estou pra lá de feliz com isso!
Também tenho lutado todos os dias pra transformar em vida aquilo que em mim é teórico.
Bom, até lá, vou colocando textos que leio e falam comigo.
Por favor, não me entendam como um provocador... eu apenas estou nesse caminho de descobrir Cristo e tentar vivê-lo.
Infelizmente, vamos tateando e buscando, sem saber bem ao certo o que econtraremos... apenas guiados por aquela certeza de se estar no rumo certo. bom, tá aí um texto muito interessante:

Jesus disse que Ele está para nós assim como a Videira está para os ramos.

Sem videira todo ramo é pedaço de pau e somente isto.

Sim! É madeira morta, boa para ser queimada.

Os cristãos, no entanto, foram enganados e deixaram-se enganar, pois, desde que se determinou que "fora da igreja não há salvação", que a Videira passou a ser a "igreja", e, também, desde então, o Agricultor, que, segundo Jesus é o Pai, entre os cristãos é o Pastor, ou, em alguns grupos, o Corpo de Doutrina pelo qual se faz a "poda" de membros.

Assim, para o crente, "permanecer em Jesus", [João 15], é permanecer firme na "igreja", freqüentando, participando e se submetendo a tudo.

Do mesmo modo, "dar fruto", segundo os crentes e suas emoções condicionadas por anos de engano religioso, é evangelismo como programa, é acampamento como devoção, é célula de crescimento, é cantar no grupo de louvor, é ir à reunião de oração, e, sobretudo, é dar o dízimo em dia.

E o mandamento de amar uns aos outros é algo que os crentes entendem como amar os que são iguais a eles enquanto os tais não ficarem diferentes. Nesse dia eles viram desviados.

Ainda no mesmo andar de engano, os crentes pensam que "ser lançado fora" da Videira é ser disciplinado pelo Agricultor Pastoral ou pelo Conselho de Agricultura que aplica o Corpo de Doutrinas disciplinadoras e excludentes, aos quais supostamente não se equivocam ao separar o joio do trigo no campo do mundo-igreja.

Ser “amigo de Jesus” [João 15], para os crentes é estar em dia com a doutrina, o dizimo e a freqüência.

Assim, para a maioria dos crentes, emocionalmente, é assim que João 15 é sentido e praticado.

Ora, o resultado é o desastre cristão desses quase dois mil anos!

De fato, a religião cristã é um estelionato espiritual, pois, chama para si, como se fora Deus, aquilo que é de Deus e somente passível de realização Nele.

O que Jesus dizia era tão simples.

O que Ele dizia é apenas isto:

Absorvam a minha Palavra; o meu ensino; e o pratiquem com amor por mim e por todo ser humano. Se vocês sempre crerem que a Vida de vocês está em mim e vem da obediência ao mandamento do amor, então, vocês serão meus amigos; e, assim, toda a verdade de minha Palavra será fato e bem na vida de vocês. Mas, sem mim, sem vida em meu amor, sem absorção do Evangelho no coração, por mais que vocês tentem viver e buscar o bem, de fato vocês serão apenas como galhos soltos, secos e mortos; existindo sob o engano de que existe vida em vocês, quando, de fato, pela própria presunção de vocês, estarão mortos sem o saberem.

O resto a História do Cristianismo nos conta!


Caio
24 de novembro de 2008
Lago Norte
Brasília DF