16 setembro 2009

Boff e Dalai Lama

Pra pensar. Achei no blog do Nazareth



Esse episódio o próprio Leonardo Boff explica:

"No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos (eu e o Dalai Lama) participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga":

"Santidade, qual é a melhor religião?"
(Your holiness, what’s the best religion?)

Esperava que ele dissesse:

"É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo".

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos o que me desconcertou um pouco, porque eu sabia da malícia
contida na pergunta e afirmou:

"A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus, do Infinito".
E continuou:

"É aquela que te faz melhor".

Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:

"O que me faz melhor?"

Respondeu ele:

"Aquilo que te faz mais compassivo, aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável...Mais ético... A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião..."

"E aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta. Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável..." concluiu Leonardo Boff.

Diálogo simples, profundo, parafraseando o nosso bom filósofo Nietzsche, a algumas perguntas são filosóficas e a filosofia pode ser comparado com um ruminar onde lemos, relemos, e, depois em um gesto constante... ruminamos... ruminamos... ruminamos...

28 agosto 2009

O Evangelho

Li no Pava:

O Evangelho não é um chamamento ao arrependimento ou à correção de nossos caminhos, ou uma forma de pagar pelos nossos pecados antigos, ou para prometer ser melhor no futuro. Estas coisas têm o seu lugar, todavia elas não constituem o Evangelho; porque o Evangelho não é bom conselho para ser seguido, são boas-novas para serem cridas. Então, não cometa o erro de pensar que o Evangelho é um chamamento ao trabalho ou um chamado para uma mudança, um chamado para melhorar o que você é, para comportar-se de uma maneira melhor que a que você tenha sido no passado...

Nem é o Evangelho um pedido para que você desista do mundo, que você desista de seus pecados, que você quebre seus maus hábitos, e tente cultivar hábitos bons. Você pode fazer todas estas coisas e ainda nunca ter acreditado no Evangelho e consequentemente nunca ter sido salvo.

Pastor Harry A. Ironside (1876-1951), em seu sermão: What Is The Gospel?

26 agosto 2009

Eu sei, mas não devia

Eu sei, mas não devia (1972)
Marina Colasanti


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.


O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.


Recebido por email do amigo Rafael Juliano

Comece bem seu dia!

Propaganda muito boa...

Achei no Sedentário



E a vontade que dá de acordar com essa disposição... ahahahaah

24 agosto 2009

No Getsêmani

Ontem em nossa reunião eu falava do quanto esta música me toca... queria deixar aqui para quem quiser ouvi-la e e sentir o que bem quiser.

Grande abraço.

05 agosto 2009

Frase do dia

"Ora, ninguém que ande no Evangelho e segundo a mente de Cristo, terá qualquer sistema fechado; posto que somente em Jesus, o Cristo Eterno de Deus, é que todas as coisas têm sua síntese e convergência total."

Caio Fábio

04 agosto 2009

Segunda Feira Blues

Eu já tinha escrito aqui sobre essa música. Afinal, é da minha banda predileta!

Mas fiquei muito feliz mesmo com essa adaptação que fizeram. Segue:

29 julho 2009

Quintela em Uberlândia II

Ontem, Terça feira, tivemos um happy hour com o Quintela na casa do Wellington, mentor da Estação de Uberlândia do Caminho da Graça.

Pra variar, o Marcelo trouxe uma reflexão prazerosa e dolorosa... pois ao mesmo tempo que é bom ouvir coisas simples da parte de Deus, é também difícil de se digerir e ainda mais complicado de enfrentar o desafio.

Mas novamente, foi excelente!

Seguem algumas fotos. O restante você encontra clicando aqui!!!


27 julho 2009

Quintela em Uberlândia



Nosso grande amigo Quintela está em Uberlândia para um descanso. Mas ainda assim, achou espaço para nos visitar na reunião que acontece toda Quinta feira na Escola da Vida, ONG que o Caminho de Uberlândia está apoiando.

Abaixo uma pequena colagem de algumas fotos. Para ver todas, clique aqui

Ouro de Tolo


Acredito que a comunidade evangélica brasileira seja hoje o maior poço de crise que se possa conhecer. Aliás, muito mais do que o PT, que já foi o Partido dos Trabalhadores e agora é somente mais um partido corruPTo.

O que me chama a atenção é que conseguimos atingir o que pedia em movimentos “proféticos” de alguns anos atrás. Chegamos no local onde queríamos!!! Olhe só:


- Hoje a música do Régis Danese toca em todas as rádios, compete com a Shakira e com o Zezé de Camargo. E também tem em qualquer versão que você queira ouvir.


- Jesus agora também joga bola e está no campeonato espanhol, inglês, brasileiro e foi até campeão da copa das confedereções!


- “Jesus” está na TV todo dia! Você pode ver no sábado de manhã, durante o horário da novela, no horário do jornal, tem canal exclusivo! Enfim, “Jesus” agora é um super Pop Star!


- Hoje podemos dizer que qualquer cidade do Brasil tem um posto do Correios, um caixa do Bradesco e pelo menos 3 igrejas. E de qualquer jeito que você quiser.


- Hoje tem igreja underground, superground, upground, tribal, tribalista, surfista, maluco beleza, enternados, de bermuda, só de saia, sem saia, hoje tem igreja pra todo mundo!!! Basta olhar no cardápio e escolher o que o seu estômago consegue engolir.


- O Planalto agora também é de Jesus!!! Veja a bancada evangélica! Homens ungidos por Deus para que possam representá-LO ali no planalto. São todos mini papas! Verdadeiros homens de Deus (ou não).


- Temos nossos próprios meios de comunicação, temos satélites, sites, orkuts, comunidades, tv´s! Caramba, Jesus agora pode falar com todos da forma como quiser! Viva a globalização!


Que maravilha, o alvo foi atingido! E agora???


E agora nada. Porque atingimos os nossos alvos e nos esquecemos dos alvos de Jesus. Ele nunca quis essa popularidade, mas sempre desejou a exclusividade no coração de quem O Ama. Na verdade, o desejo dEle sempre foi que tivéssemos os mesmos alvos que Ele. Ele não precisa de TV ou outros meios de representação. Ele pode falar aos corações lembra? O homem nunca vai inventar uma tecnologia tão boa!


Um certo cara disse que:


“Porque foi tão fácil conseguir

E agora eu me pergunto "e daí?"

Eu tenho uma porção

De coisas grandes prá conquistar

E eu não posso ficar aí parado...”


O que dói na garganta é descobrir que o Brasil agora é de Jesus! Sim... Jesus comprou o Brasil! Mas não com sangue.


Porque não posso crer que estamos falando do mesmo Jesus.


O Brasil é de Jesus! Um Jesus interesseiro, negociador, cheio de malandragens, um Jesus que é parcial, que torce pro seu time e ferra com os outros para beneficiar os seus. Um Jesus que na verdade, é muito mais um Macunaíma!


Portanto, é isso aí. A igreja atingiu o objetivo! E agora? Descobriu-se que no final do arco-íris, o ouro era de tolo! Só isso.


Fizemos muito... para hoje não sermos nada.


Parabéns a todos... a igreja é um sucesso, um fenômeno mercadológico!


Mas não espere palmas de Jesus.